Hoje é dia...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

E a saúde cada vez mais doente…

Em fevereiro fui convidada para dar aulas de legislação do SUS para duas turmas que estavam se preparando para o concurso da Secretaria de Saúde de Belém. Naquela altura eu não tinha conhecimento nenhum acerca dos direitos e deveres dos usuários, muito menos do funcionamento desse sistema.

 

O modelo do SUS é tido como um dos melhores do mundo, de verdade. É um dos maiores sistemas públicos de saúde do globo, pois abrange desde o simples atendimento ambulatorial até o mais complexo serviço, como o transplante de órgãos, por exemplo. É claro que seria no caso de ele ser aplicado da forma como aparece descrito por todas as inúmeras leis que o regem. Mas, infelizmente, não é.

 

Não que ele não seja modelo. Modelo ele é. O que ele não é é aplicado… Isso eu pude perceber claramente no contato com a legislação. E pude perceber mais ainda quando li a notícia que motivou este post: o cancelamento da distribuição de remédios para os portadores de hepatite C.

 

Como se já não bastassem todos os problemas que a saúde pública já enfrenta no nosso país, ainda temos agora que lidar com a falta de respeito para com pessoas que só tem uma chance de sobreviver à enfermidade, que é tomando o Interferon, que custa, em média, R$300,00. Cada paciente precisa de quatro doses mensais deste remédio, o que equivale a R$1.200,00 para tratar a doença.

 

Que chances uma pessoa tem de sobreviver e lutar contra esse vírus com um preço destes? Como manter o tratamento que, segundo os médicos, não deve ser interrompido em hipótese alguma, antes que se observe o controle da doença?

 

Como pode o governo cancelar a distribuição do medicamento de uma hora pra outra, sem ao menos avisar os pacientes com antecedência (o que não deixaria de forma alguma de ser absurdo)?

 

São várias as perguntas que me faço, além daquela que deve estar martelando a cabeça de todos vocês: o governo pode cercear o direito à vida?

0 comentários: